Mostrando postagens com marcador notícias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador notícias. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

"Eu sabia da renúncia desde Setembro de 2011"


 | Categoria: Bento XVI


Publicamos este interessante artigo do jornalista italiano Antonio Socci que, num furo jornalístico extraordinário, já havia anunciado, há um ano e meio (!), a decisão de Bento XVI de renunciar ao Pontificado.

Autor: Antonio Socci | 12 de fevereiro de 2013.
A renúncia de Bento XVI não é somente uma notícia explosiva, mas um evento epocal, sem precedentes (pode-se citar o caso de Celestino V, há setecentos anos, mas foi um acontecimento muito diferente, num contexto bem diverso).
O que está acontecendo diante de nossos olhos é um acontecimento que, pela sua própria natureza planetária e espiritual, faz empalidecer todas as outras notícias de acontecimentos destes dias e certamente não tem relação alguma com elas (a começar com as eleições italianas).
Ontem, Ezio Mauro, na reunião de redação de "República" transmitida no site, e que obviamente foi dedicada ao pontífice, revelou que Bento XVI chegou a esta decisão "depois de uma longa reflexão. Hoje pela manhã – acrescentou Mauro – ele nos disse que já tinha tomado a decisão há tempo e que mesmo assim a manteve no segredo".
Na realidade a decisão foi tomada, pelo menos desde o verão de 2011 e não era mais uma notícia secreta desde 25 de setembro de 2011, quando, neste jornal, eu a trouxe à luz, tendo dela sabido de diversas fontes, todas confiáveis e independentes umas das outras. Naquela ocasião, a entrega do cargo fora pensada, por Ratzinger, para o seu aniversário de 85 anos, ou seja, na primavera de 2012.
O problema é que, dois meses depois do meu artigo, no outono de 2011, começou a eclodir o caso do vazamento de informações do Vaticano (conhecido como Vatileaks) e imediatamente ficou claro – até que não se concluísse o caso – que o Santo Padre não colocaria em prática sua decisão. De fato, no livro de entrevista publicado há alguns anos, "Luz do mundo", com Peter Seewald, analisando a possibilidade de renúncia de forma teórica, explicara que, quando a Igreja se encontra em meio a uma tempestade, um Papa não pode renunciar.
Por isto, no dia 11 de março de 2012, faltando um mês para o aniversário de 85 anos do Pontífice (que é 16 de abril), eu escrevi nesta coluna: "É necessário que se diga que a tempestade que se abateu nestes meses sobre a Cúria vaticana, em particular sobre a Secretaria de Estado, afastou a hipótese da renúncia do Papa, o qual sempre deixou claro que a renúncia deve ser excluída quando a Igreja está em grande dificuldade, pois poderia parecer uma fuga da responsabilidade". A forma como os fatos se desenvolveram posteriormente confirma esta reconstrução. Já que a renúncia do Papa aconteceu, finalmente, passado exatamente um mês da conclusão definitiva do caso Vatileaks, com o perdão concedido ao mordomo Paulo Gabriele.
Sinal de que esta renúncia já havia sido efetivamente pensada no verão de 2011.
Eis as razões apresentadas ontem pelo Papa: "cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério petrino".
Com sua habitual clareza, o Papa disse a simples verdade e fez a escolha que considera a melhor para o bem da Igreja, escolha esta, aliás, de humildade, que é uma característica importante de sua humanidade e de sua fé.
Nós, no entanto, podemos e devemos observar que quase todos os papas precedentes envelheceram e permaneceram no cargo, embora com forças reduzidas, governando através de seus colaboradores.
Pode-se então levantar a hipótese que Bento XVI não tenha feito esta escolha por julgar não ter colaboradores à altura desta tarefa (com a sua renúncia, decaem os cargos mais importantes da cúria).
Pode-se claramente dizer que Bento XVI foi um grande pontífice e que o seu pontificado foi – ao menos em parte – dificultado por uma Cúria que não estava à sua altura, mas também pela escassa sintonia com o Papa por parte do episcopado.
Joseph Ratzinger, que confirma ser um papa extraordinário também com esta sua saída de cena, certamente carregou a cruz do ministério petrino sofrendo muito e dando tudo de si mesmo(não lhe faltaram nem incompreensões, nem desprezo).
Foi uma pena verificar que o seu esplêndido magistério muitas vezes não foi escutado.
Quando publiquei o meu furo jornalístico, escrevi que teria o desejo de ser desmentido pelos fatos e esperava que nós católicos rezássemos para que Deus nos conservasse este grande Papa por mais tempo.
Infelizmente, muitos crentes, ao invés de escutar este meu apelo à oração se puseram a me atacar, como se fosse crime de lesa majestade dar a notícia de que o Papa estava considerando a renúncia. Uma reação puritana que demonstra um certo clericalismo bem comum. Bento XVI – com a sua constante apologia da consciência e da razão – está entre os poucos que não possuem uma mentalidade clericalista.
Basta recordar que não hesitou em chamar com o seu nome próprio todas as pragas da Igreja e de denunciá-las como jamais se fizera.
Na sua admirável liberdade moral ele não hesitou nem mesmo em desmentir alguns de seus colaboradores mais próximos sobre o "segredo de Fátima". Aconteceu em 2010, quando decidiu fazer uma repentina peregrinação ao santuário português e lá declarou:
"Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída [...] Na Sagrada Escritura, é frequente aparecer Deus à procura de justos para salvar a cidade humana e o mesmo faz aqui, em Fátima. [...] Possam os sete anos que nos separam do centenário das Aparições apressar o anunciado triunfo do Coração Imaculado de Maria para glória da Santíssima Trindade".
Uma expressão que certamente faz pensar (o centenário das aparições de Fátima será em 2017), também numa relação com os famosos "dez segredos" de Medjugorje.
Por outro lado, o próprio anúncio da renúncia aconteceu em uma data gloriosamente mariana, o 11 de fevereiro, aniversário (e festa litúrgica) das aparições da Virgem de Lourdes. É fácil prever que agora irão se desencadear explicações fantasiosas, que irão evocar Malaquias, a monja de Dresden e todo o resto.
Permanece, porém, o fato que o Papa, com o peso da decisão epocal que assumiu, coloca toda a Igreja diante da gravidade dos tempos que vivemos. Gravidade que Nossa Senhora enfatizou dolorosamente em todas as aparições modernas, desde La Salette, Lourdes, Fátima e Medjugorje (passando pelo misterioso e milagroso derramamento de lágrimas da imagem de Nossa Senhora em Civittavecchia).
É de se esperar, além do mais, que não se atribua a este nosso amado Papa, aquilo que foi atribuído a um seu predecessor, Pio X, que a Igreja proclamou santo.
É um episódio que tem sido difundido há alguns meses em alguns ambientes católicos e também na Cúria.
Parece que Pio X, em 1909, teria tido uma visão durante uma audiência que o angustiou: "O que vi foi terrível! Serei eu, ou um meu sucessor? Vi o Papa fugir do Vaticano entre os cadáveres de seus padres. Irá refugiar-se em algum lugar, incógnito, e depois morrerá de morte violenta".
Parece que teria voltado a esta visão em 1914, perto de sua morte. Ainda lúcido, transmitiu novamente o conteúdo da visão e comentou: "O respeito a Deus desapareceu dos corações. Deseja-se até mesmo apagar a sua lembrança".
Há algum tempo circula esta "profecia" também porque se diz que Pio X teria igualmente declarado que se trata de "um de meus sucessores com nome igual ao meu". O nome de Pio X era Giuseppe Sarto. Ou seja, José, portanto, Joseph. Desejo ardentemente que se trate de uma falsa profecia ou que não diga respeito aos nossos dias.
Mas a sua divulgação faz ver o quanto o pontificado de Bento XVI – como o de seu predecessor – esteja circundado de inquietações.
Além do mais, foi ele mesmo quem o iniciou pedindo a oração dos fieis para que não fugisse diante dos lobos. O Papa não fugiu.
Sofreu e realizou a sua missão até que pôde e hoje pede à Igreja um sucessor que tenha as forças para assumir este pesado ministério. Além do mais, para todos é evidente que o papado, já faz três séculos, tornou-se um lugar de martírio branco, da mesma forma com que, nos primeiros séculos, significava certamente o martírio de sangue.
De fato, os tempos modernos se abriram com um outro evento místico acontecido com o papa Leão XIII, o papa da "questão social" e da "Rerum novarum". No dia 13 de outubro de 1884 (13 de outubro é também o dia do milagre do sol em Fátima) o pontífice teve uma visão durante a celebração eucarística.
Ficou chocado e abalado. O pontífice explicou que dizia respeito ao futuro da Igreja. Revelou que Satanás, nos cem anos seguintes, chegaria ao cume de seu poder e que faria de tudo para destruir a Igreja.
Parece que ele teria visto também a Basílica de São Pedro assediada por demônios que a faziam tremer.
O fato certo, porém, é que o Papa Leão se recolheu imediatamente em oração e escreveu aquela maravilhosa oração a São Miguel Arcanjo, vencedor de Satanás e protetor da Igreja, que desde então era recitada em todas as igrejas, no fim da Missa.
Esta oração foi abolida com a reforma litúrgica que se seguiu ao Concílio Vaticano II, a reforma litúrgica que Bento XVI procurou tanto reelaborar. Nunca como hoje a Igreja necessita da oração de proteção a São Miguel Arcanjo.
Fonte: antoniosocci.com | Tradução: padrepauloricardo.o

Papa não renunciou porque está doente, confirma padre Lombardi

O Papa Bento XVI está bem e muito sereno, não renunciou porque está doente, mas somente pela fragilidade devido ao envelhecimento. Essa foi a informação dada pelo porta voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, em coletiva concedida nesta terça-feira, 12, um dia após a apresentação da renúncia do Papa Bento XVI.

Na coletiva, foi confirmado todo o calendário de compromissos do Pontífice até 28 de fevereiro, último dia de seu pontificado: encontros com os bispos italianos em visita ad limina, com os presidentes de Romênia e Guatemala, os Angelus e as audiências gerais. Não haverá Encíclica sobre a fé. 

O diretor da Sala de Imprensa Vaticana convidou a prestar atenção para o que o Papa vai dizer nos próximos dias, a partir de amanhã, seja na audiência geral, seja na celebração das Cinzas na Praça São Pedro. 

Padre Lombardi também explicou que a viagem a Cuba e ao México, realizada no ano passado, devido ao cansaço, constituiu para Bento XVI uma etapa de maturação para pensar na renúncia ao ministério, mas não foi uma decisão definitiva neste sentido. 

Aos jornalistas não foi dado algum detalhe sobre como chamará ou se vestirá o Pontífice uma vez de volta ao Vaticano, depois da permanência em Castel Gandolfo: trata-se de questões ainda a definir. 

O Papa deixará, conforme foi dito, as suas funções às 20h do dia 28 de fevereiro, que é geralmente quando o Papa termina suas atividades antes de se retirar em oração, e depois irá repousar: será um último dia de pontífice vivido de forma comum. 

Padre Lombardi agradeceu aos jornalistas pelo trabalho desenvolvido, por tantos comentários respeitosos e reflexivos que apreenderam a coragem e humildade, o seu sentido de responsabilidade, de lucidez desta decisão histórica e deram um sentido de participação e compreensão do mundo no qual o Papa vive esta decisão, tomada com consciência diante de Deus, e propriamente por isto é serena

Bento XVI volta a explicar o motivo de sua renúncia

No início da audiência geral desta quarta-feira, 13, o Papa Bento XVI reiterou o motivo pelo qual renunciou ao ministério petrino. Acolhido por um longo aplauso dos fiéis presentes para a catequese, o Santo Padre voltou a explicar que examinou sua consiência diante de Deus e está consciente de que não está mais em condições de prosseguir como Bispo de Roma, ministério a ele confiado em 19 de abril de 2005. Veja abaixo o que disse o Papa:

"Caros irmãos e irmãs,

Como sabeis, decidi renunciar ao ministério que o Senhor me confiou a 19 de abril de 2005. Fi-lo em plena liberdade, para o bem da Igreja, depois de ter rezado longamente e de ter examinado diante de Deus a minha consciência, bem consciente da gravidade desse ato, mas também consciente de já não estar em condições de prosseguir o ministério petrino com aquela força que ele exige. Sustenta-me e ilumina-me a certeza de que a Igreja é de Cristo, O qual nunca fará faltar a sua guia e o seu cuidado. Agradeço a todos pelo amor e pela oração com que me tendes acompanhado. (aplausos). Obrigado, senti quase fisicamente nestes dias nada fáceis para mim, a força da oração que o amor da Igreja, a vossa oração, me traz. Continuai a rezar por mim, pela Igreja, pelo futuro Papa. O Senhor o guiará".

Ainda nesta quarta-feira, à tarde, Bento XVI preside a Celebração das Cinzas, na Basílica Vaticana.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Professor Felipe Aquino recebe homenagem durante PHN


Na tarde desta quinta-feira, dia 19, durante o Acampamento PHN, oprofessor Felipe Aquino, apresentador do programa “Escola da Fé” na TV Canção Nova, foi homenageado pelos serviços prestados à Igreja com a honraria da Ordem dos Cavaleiros de São Gregório Magno.

Este título é destinado às pessoas que se destacam, no seu trabalho, em prol da evangelização e em defesa da fé católica.
 
Professor Felipe Aquino e Dona Zila, sua esposa

O bispo da diocese de Lorena (SP), Dom Benedito Beni, presidiu a celebração junto com o fundador da Canção Nova, monsenhor Jonas Abib, e outros sacerdotes. No início da celebração, o formador geral da Comunidade, padre Wagner Ferreira, leu, em latim, a carta enviada pela Santa Sé, na qual o professor Felipe recebia o título conferido a ele pelo Papa Bento XVI.

Ao entregar a carta, o prelado destacou a importância de tal homenagem e os grandes serviços prestados à Igreja pelo professor Felipe Aquino.

“Este prêmio é uma homenagem não só para o professor Felipe, mas também para todos os leigos da diocese de Lorena que, a seu modo, lutam pela evangelização e defesa da Igreja. Destaco, hoje, os grandes serviços prestados pelo professor Felipe, seus inúmeros livros e palestras que sempre tiveram como meta maior guiar os cristãos e apresentar a eles, de forma acessível, a Palavra de Deus”, afirmou Dom Beni.
 
 

Ao fim da celebração, o filho do homenageado, Davi Aquino, discursou relembrando alguns fatos e momentos da história da família que marcaram esta trajetória. Logo depois, o homenageado também agradeceu sua família e todas as pessoas que sempre o apoiaram.

“Nunca vi, como um trabalho ou uma obrigação, tudo o que fiz e faço pela Igreja. É um prazer comunicar Deus para todos aqueles que necessitam ouvi-Lo. Não fiz nada sozinho, por isso seria egoísmo da minha parte não dividir essa honraria com todos que passaram pela minha vida. Espero continuar firme na fé e servir a Igreja até o último dia da minha vida”, agradeceu ele.

A Canção Nova agradece ao professor Felipe Aquino (@PFelipeAquino) por seus serviços prestados e a fiel parceria durante esses anos. Ele, desde o início, faz parte desta obra de evangelização e, atualmente, apresenta os programas “Escola da Fé” e “Pergunte e responderemos”, pela TV Canção Nova, além de fazer parte desta obra de evangelização.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Nota Oficial: CNBB sobre aborto de feto anencéfalo

Sexta-feira, 13 de abril de 2012, 08h32

CNBB lamenta decisão do STF sobre aborto de bebês anencéfalos


CNBB


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), logo após a conclusão do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira, 12, sobre a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 54, que descriminaliza o aborto de bebês anencéfalos, emitiu nota oficial lamentando a decisão.

No texto, os bispos afirmam que "Legalizar o aborto de fetos com anencefalia, erroneamente diagnosticados como mortos cerebrais, é descartar um ser humano frágil e indefeso".

Leia a íntegra da nota:

Nota da CNBB sobre o aborto de Feto “Anencefálico”

Referente ao julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 54



A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB - lamenta profundamente a decisão do Supremo Tribunal Federal que descriminalizou o aborto de feto com anencefalia ao julgar favorável a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental n. 54. Com esta decisão, a Suprema Corte parece não ter levado em conta a prerrogativa do Congresso Nacional cuja responsabilidade última é legislar.

Os princípios da “inviolabilidade do direito à vida”, da “dignidade da pessoa humana” e da promoção do bem de todos, sem qualquer forma de discriminação (cf. art. 5°, caput; 1°, III e 3°, IV, Constituição Federal), referem-se tanto à mulher quanto aos fetos anencefálicos. Quando a vida não é respeitada, todos os outros direitos são menosprezados, e rompem-se as relações mais profundas.

Legalizar o aborto de fetos com anencefalia, erroneamente diagnosticados como mortos cerebrais, é descartar um ser humano frágil e indefeso. A ética que proíbe a eliminação de um ser humano inocente, não aceita exceções. Os fetos anencefálicos, como todos os seres inocentes e frágeis, não podem ser descartados e nem ter seus direitos fundamentais vilipendiados!

A gestação de uma criança com anencefalia é um drama para a família, especialmente para a mãe. Considerar que o aborto é a melhor opção para a mulher, além de negar o direito inviolável do nascituro, ignora as consequências psicológicas negativas para a mãe.   Estado e a sociedade devem oferecer à gestante amparo e proteção

Ao defender o direito à vida dos anencefálicos, a Igreja se fundamenta numa visão antropológica do ser humano, baseando-se em argumentos teológicos éticos, científicos e jurídicos. Exclui-se, portanto, qualquer argumentação que afirme tratar-se de ingerência da religião no Estado laico. A participação efetiva na defesa e na promoção da dignidade e liberdade humanas deve ser legitimamente assegurada também à Igreja.

A Páscoa de Jesus que comemora a vitória da vida sobre a morte, nos inspira a reafirmar com convicção que a vida humana é sagrada e sua dignidade inviolável.

Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, nos ajude em nossa missão de fazer ecoar a Palavra de Deus: “Escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19).



Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB



Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

quarta-feira, 11 de abril de 2012

STF analisa impasse sobre aborto de anencéfalos

Quarta-feira, 11 de abril de 2012, 08h25

STF analisa impasse sobre aborto de anencéfalos

Jéssica Marçal
Da Redação


Blog Nossa Amada Vitória de Cristo
A menina Vitória de Cristo, anencéfala, surpreendeu a ciência ao completar dois anos de idade; nas fotos, ela aperece no colo dos pais
O Supremo Tribunal Federal inicia hoje, 11, a análise em plenário da ação que reivindica a descriminalização do aborto de bebês anencéfalos. O assunto divide opiniões. Os favoráveis à prática argumentam que essa deficiência levará a criança à morte , sendo o mais indicado o aborto. Por outro lado, os contrários lembram que a criança, mesmo imperfeita, tem direito à vida, princípio garantido pela própria constituição.

A anencefalia é uma má-formação congênita que atinge acerca de 1 em cada 1000 bebês. O especialista em neurologia pediátrica, dr. Wagner Freire Monteiro, explicou que essa deficiência é decorrente da ausência de cérebro. Ele ressaltou, no entanto, que o cérebro não é algo global, como as pessoas entendem, mas sim formado por uma outra parte total que se chama encéfalo.

“Quando a gente fala cérebro, a gente entende uma coisa global. Na realidade, o cérebro é feito por uma parte de uma outra parte total que se chama encéfalo. Então realmente (a anencefalia) causa a ausência do cérebro, mas não do encéfalo. Ou seja, existe uma parte do sistema nervoso central que está dentro da caixa craniana e essa parte é muito rudimentar. A parte nova, que foi adquirida na evolução do ser humano, essa realmente está ausente, por isso que se chama sem cérebro, ou seja, anencefalia”.

Em relação à mãe, o médico explicou que os riscos da gravidez de um bebê anencéfalo são os mesmos de uma gravidez normal. Quanto à anencefalia da criança, ele disse que isso acarreta na ausência da parte cognitiva, impedindo o desenvolvimento dos comandos do cérebro e do resto do organismo.

Diante desse quadro, o doutor explicou que é difícil determinar quanto tempo de vida uma criança portadora dessa deficiência pode ter. “É difícil a gente falar porque atualmente com a medicina, com os avanços que ela tem, a gente mantém a criança viva de forma bem mais prolongada, então é difícil prever um tempo de evolução dela”.

Consequências 

A ginecologista e obstreta Elisabeth Kipman Cerqueira considera que o aborto é uma prática antiética e que esta medida para descriminalizar o aborto de anencéfalos acabará introduzindo a prática no Brasil.

“Em si é antiético, porque se está dizendo que, já que tem pouco tempo de vida, vamos matar. Isso é antiético e proibido pela constituição. É apenas a ponta de lança para introduzir o aborto no Brasil”.

A médica completou dizendo que o aborto é uma prática injustificável, mesmo no caso dos bebês anencéfalos. “Não se justifica porque ninguém tem o direito de apressar a morte de ninguém. Só por saber que, mais cedo ou mais tarde, vai morrer, você vai matar?, refletiu.

Dra. Elisabeth explicou ainda que essa proposta está sendo colocada em questão porque comove a opinião pública, levando as pessoas a se questionarem se realmente não existe o direito de se fazer o aborto, já que o bebê não vai viver. A doutora defende que não existe esse direito por dois motivos: primeiro pelo próprio bebê e segundo pela saúde da mãe.

“Sempre o aborto provocado traz mais riscos pra mãe do que quando acontece o aborto espontaneamente ou parto espontaneamente, mesmo que seja prematuro. Não são divulgados as consequências e o montante de problemas que vêm pelo próprio aborto provocado, que aumenta, inclusive, o índice de câncer de mama”, alertou a ginecologista.

Palavra da Igreja

O bispo auxiliar da arquidiocese do Rio de Janeiro e presidente da Comissão Arquidiocesana de promoção e Defesa da Vida, dom Antônio Augusto Dias Duarte, disse que a aprovação dessa medida trará muitos malefícios sociais.

“Sabemos que o aborto não só retira da sociedade pessoas que teriam uma missão, um papel muito importante, mas também deixa na sociedade pessoas profundamente traumatizadas por essa ação. Então é preciso ter uma noção não só a nível físico, mas também a nível psicológico e espiritual”, explicou o bispo.

Dom Antônio acredita que outra conseqüência da permissividade desse caso de aborto cria na sociedade uma mentalidade de morte, de ir eliminando não só aquele que sofre, mas também os indesejáveis.  

“Então isso vai criando uma sociedade onde a morte é a solução quando a morte não pode ser vista assim, já que nos planos de Deus, a morte também é um meio de santificação, de engrandecimento do homem, da família, da sociedade”, ressaltou.