O aborto para os cristãos é um assassinato e jamais pode ser apontado como solução para o quer que seja. Muito tem se debatido sobre ele atualmente. Contudo, uma pergunta que quase nunca é formulada, mas cuja resposta é bastante importante é a seguinte: para onde vão as almas dos bebês abortados? É o Catecismo da Igreja Católica que responde dizendo:
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sexta-feira, 17 de maio de 2013
Deus ama o diabo?
Santo Tomás de Aquino ensina que Deus é o ser subsistente, ou seja, que está presente em toda criatura. Por esse raciocínio é possível afirmar que Ele está presente também no diabo? E, se está presente, pode-se deduzir também que Deus o ama? Não parece improvável haver amizade entre Deus e o diabo? É sobre este tema tão inusitado que Padre Paulo Ricardo fala nesta Resposta Católica.
Como é a ação de Satanás no mundo?
Satanás age no mundo livremente ou existe algum limite? Por que Deus permite a ação de satanás? Padre Paulo Ricardo responde, neste vídeo, a estes e outros questionamentos, utilizando-se do Catecismo da Igreja Católica.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Escolhe, pois, a família
A importância da luta pela família diante das ideologias anti-cristãs

A questão sobre o "casamento" gay só é polêmica porque a identidade da família está em crise. Isso deve-se, em parte, à militância agressiva dos movimentos LGBTs que, apoiados na grande imprensa, monopolizam o debate público e o transformam num verdadeiro monólogo. Com efeito, as opiniões conflitantes são varridas dos canais de informação, sob os pejorativos de "preconceituosas" ou "homofóbicas". Assim, cria-se a impressão de que falar em defesa da família seja uma atitude fora dos padrões de normalidade. Trata-se de um golpe demagogo pelo qual os movimentos gays conseguiram a hegemonia da classe falante e a introdução de sua agenda nos mais variados campos da sociedade, desde a cultura à educação.
O que a maioria não consegue perceber, no entanto, é a clara intenção de se reconstruir os padrões de vivência através de um controle do comportamento. Ora, para dominar um povo, é preciso obter a hegemonia dos meios de comunicação, propagar uma ideologia apelativa e direcionada à emancipação de um grupo e conseguir a direção do ensino, principalmente das crianças. Boa parte dessas metas já foram atingidas pela elite interessada no controle do comportamento e que usa a causa LGBT como navio quebra-gelo sob muitos aspectos. Uma rápida leitura dos jornais é o suficiente para se ter ideia da gravidade do assunto, sobretudo quando se fala abertamente em educação sexual e distribuição de preservativos nas escolas.
Ativista homossexual e jornalista Masha Gessen
Alguns podem objetar os fatos acusando quem os denuncia de louco ou teórico da conspiração. Bom, neste caso, a solução mais eficaz é dar voz ao próprio movimento gay. Uma ativista homossexual famosa nos Estados Unidos, a jornalista Masha Gessen, revelou recentemente em um programa de rádio que a meta dos defensores do "casamento" entre pessoas do mesmo sexo é, sim, modificar a instituição familiar, pois ela seria algo que não deveria existir. Para Masha Gessen, "é óbvio que (os homossexuais) devem ter o direito a contrair matrimônio, mas também é óbvio que a instituição do matrimônio não deveria existir… Lutar pelo matrimônio gay, em geral, implica mentir acerca do que vamos fazer com o matrimônio quando chegarmos lá, porque mentimos quando dizemos que a instituição do matrimônio não vai mudar, e isso é uma mentira. A instituição do matrimônio vai mudar, e deve mudar. E de novo, não creio que deveria existir."
Por conseguinte, não é moralmente aceitável a um católico relativizar o problema, ainda mais depois dessa afirmação escandalosa da jornalista Masha Gessen. Afinal de contas, o que se está em jogo não é um direito ou uma lei qualquer na constituição, mas o fundamento da sociedade e a perpetuação do cristianismo nas próximas gerações. A prova cabal de que essa política pró-homossexualismo é uma ameaça à família, à educação das crianças e à fé cristã se tem na Suécia, onde o Estado, através de medidas semelhantes às que se tem proposto no Brasil, praticamente eliminou a religião da cultura e retirou os filhos do convívio familiar.
O escritor G.K. Chesterton já denunciava os efeitos da usurpação do lugar da família pelo Estado no seu livro "Hereges". Segundo Chesterton:
"A grande sociedade é uma sociedade para promoção da limitação. É um mecanismo que visa proteger o indivíduo solitário e sensível da experiência dolorosa e fortalecedora de assumir compromissos humanos. É, no sentido mais literal das palavras, uma sociedade para prevenção da cultura cristã" (Cf. Hereges, p. 172).
Apesar da gravidade do assunto, tamanho é o lobby do movimento gay que, não raras vezes, muitos católicos sentem-se intimidados a contestá-los, ao passo que outros, até mesmo, passam a apoiá-los. O problema é jogado para escanteio, enquanto milhões e milhões de almas são ceifadas, vítimas dessa ideologia voraz que não poupa nem mesmo as crianças. Sob a égide da propaganda midiática e dos milhões dos cofres públicos que caem em suas contas, pisam na moral, ridicularizam a religião, destroem o ensino e serpenteiam as autoridades de maneira aterradora, em busca de leis que legitimem suas perversões e calem aqueles que se opuserem.
Faz-se necessário, portanto, romper essa espiral do silêncio que envergonha a Igreja e joga lama sobre o sacramento santo do matrimônio. Faz-se necessário derrubar a hegemonia da mentira dos meios de comunicação que tentam domesticar a Igreja e impedi-la de anunciar a Verdade do Evangelho. Recobrar a audácia cristã e o destemor dos mártires é tarefa imprescindível nesta luta pela fé e pela família. A altíssima vocação da Igreja de ser uma instância profética dentro da sociedade não pode ser solapada e depende dos cristãos manter vivo esse apostolado.
Neste sentido, os inimigos da família precisam saber que a Igreja não se calará e não permitirá a destruição do fundamento da humanidade. Na batalha pela dignidade do casamento, cabe à Igreja a missão de lembrar que o caminho da felicidade e da salvação só pode ser encontrado nos mandamentos de Deus, não nos do mundo. E isso vale para os jovens, isso vale para os idosos, isso vale para os casais e isso vale também para os homossexuais. Todo aquele que quiser alcançar a salvação deve seguir a regra do sim, sim, não, não. Deve renunciar à pompa do mal!
Portanto, apesar do violência da ideologia gay, o único temor da Igreja é o de não fazer a vontade de seu Senhor. Ideias, revoluções e movimentos passam, assim como passaram todos os outros que tentaram destruir a fé católica. A Igreja continuará a romper os grilhões da falsidade, anunciando o Evangelho a toda criatura. A Igreja continuará firme na missão de proclamar a Palavra de Deus sem concessões e sem descontos, até os confins do mundo. A Igreja continuará de pé em defesa da família e da dignidade humana, pois somente em um lar devidamente estruturado pode-se encontrar as ferramentas cristãs que conduzem ao céu. Assim, defender a família é defender a vida, mas não qualquer tipo de vida. A luta do cristão é pela vida eterna. Escolhe, pois, a família.
Por: Equipe Christo Nihil Praeponere
quinta-feira, 14 de março de 2013
13 de março, dia de grandes surpresas
Papa Francisco rezando na Basílica de Santa Maria Maior
Caríssimos,
O dia de ontem foi um dia de grandes surpresas...
Enquanto os Cardeais eleitores escolhiam na Capela Sistina o novo Romano Pontífice, eu, em minha casa, era assaltado (as informações dos repórteres não são muito exatas, mas estão aí para constar).
Assim, o dia 13 de março de 2013 entrou, não somente para a história da Igreja, mas também para minha história pessoal. Graças a Deus estamos todos bem, os assaltantes foram presos, e os bens parcialmente recuperados.
Mas a surpresa maior foi o Papa Francisco.
Confesso que não o conheço nem pessoalmente, nem em escritos. Ao contrário de Joseph Ratzinger, de quem eu já era um entusiasmado conhecedor há vários anos, Jorge Mario Bergoglio será um pessoa que nós iremos juntos aprender a conhecer e amar.
Confesso que os seus gestos de originalidade em sua primeira aparição pública me deixaram confuso. O que isto significaria?
Não sou um místico, mas pedi uma palavra:
Mas o Senhor me disse: Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força. Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo (2Cor 12, 9).
Talvez seja isto mesmo. Alguém que com sua fraqueza e humildade faça atuar a graça. Um novo São Francisco que será um sinal de contradição e reconduzirá o coração de muitos a Deus. Afinal, não foi ao Pobre de Assis que Nosso Senhor pediu: "Reconstrói a minha Igreja"?
Esperemos que o novo Papa também saiba escolher um Secretário de Estado que seja um novo São Boaventura, um homem que faça o carisma fecundar a instituição.
De minha parte, faz brotar em meu coração uma grande esperança e alegria o fato de o novo Papa, como primeiro ato, ir visitar a casa de Nossa Senhora, a Basílica Liberiana de Santa Maria Maior.
Acompanhemos com fé e carinho o Santo Padre, o Papa Francisco, em seus primeiros passos seguindo as pegadas do pescador da Galileia. Que Nossa Senhora o cubra com seu manto!
Sancta Maria, salus populi romani, ora pro nobis!
Padre Paulo Ricardo
quinta-feira, 7 de março de 2013
O falso Concílio dos teólogos liberais e as suas desastrosas consequências

A renúncia do Papa Bento XVI iniciou um processo de reflexão sobre a situação da Igreja no mundo. O Santo Padre, no seu discurso ao clero da Diocese de Roma[01], lamentou os resultados de uma "hermenêutica da ruptura" sobre os textos do Concílio Vaticano II, interpretação essa que contou com o apoio dos meios de comunicação para se difundir. O efeito de tal pensamento foi catastrófico. Nas palavras do Papa Emérito, os frutos foram estes: "seminários fechados, conventos fechados, liturgia banalizada..." De fato, essa não era a intenção do Concílio, mas ao invés da primavera que se anunciava após o seu término, o que veio foi a nebulosa "fumaça de satanás" denunciada por Paulo VI.
Neste sentido, o Ano da Fé proclamado por Bento XVI é uma oportunidade ímpar para se pensar a respeito do que realmente propôs o Concílio Vaticano II. Expressar a continuidade do Magistério da Igreja e contemplar o passado para recolher dele as bases da nova ação evangelizadora. Era mais ou menos com essas palavras que o Beato João XXIII abria o Concílio há 50 anos. Palavras que, sem sombra de dúvida, representam um ideal bem distante do elucubrado pelos ideólogos do "Espírito do Concílio", um espírito que em última instância se comporta como um anti-concílio.
Por conseguinte, a questão principal a se entender neste tema é que esse "Espírito do Concílio" é um movimento criado por teólogos liberais e pela imprensa. Nada tem a ver com a verdadeira letra do Concílio Vaticano II. Na verdade, sua expressão é a de um humanismo sem Deus, no qual a transcendência cristã é quase que posta de lado e substituída por alguns espasmos espirituais. Em tese, é a total aliança do homem com a mentalidade moderna e anti-cristã. Aliança, vale lembrar, duramente criticada por teólogos que tiveram grande peso durante o Concílio como Hans Urs von Balthasar.
No entanto, apesar da sua verve revolucionária e notoriamente anti-católica, foi o "Espírito do Concílio" que obteve a primazia sobre a opinião pública, mesmo dentro da Igreja. Isso se explica, sobretudo, pelo fato do Concílio dos meios de comunicação ter sido o mais acessível a todos. Portanto, como ressaltou Bento XVI, "acabou por ser o predominante, o mais eficiente, tendo criado tantas calamidades, tantos problemas, realmente tanta miséria".
Por outro lado, debitar na conta do "Espírito do Concílio" todos os males surgidos dentro da Igreja nesses últimos anos também seria exagerado, embora, a sua contribuição para o processo de desfiguração do rosto do cristianismo diante da sociedade tenha sido decisiva. Basta se observar a atual situação das nações de antiga tradição católica para se ter uma noção do estrago. A título de exemplo, veja-se os casos de vendas de antigas catedrais para se tornarem "hotéis" ou "casas de show", como tem ocorrido na França e em outros países europeus. Ou então a implosão demográfica pela qual está passando a Europa como um todo, devido às suas políticas de controle da natalidade. Ou, sem ir muito longe, aqui mesmo no Brasil, onde a falta de zelo pastoral e o sequestro da liturgia para transformá-la em propaganda política ou espetáculos circenses tem aberto cada vez mais espaço para o avanço das seitas.
Bento XVI, em sua autobiografia, afirmou que a crise pela qual a Igreja passa hoje "é causada em grande parte pela decadência da liturgia". O Papa Emérito criticava o modo como se é celebrado a Missa em tantos lugares, que é quase como se Deus não existisse. O seu diagnóstico é de uma precisão quase cirúrgica: a grande tragédia da Igreja e do mundo é o abandono de Deus. Não obstante, ao mesmo tempo em que o "Espírito do Concílio" fez tantos estragos, ele mesmo se encontra hoje em um processo de franca decadência: "passados cinquenta anos do Concílio, vemos como este Concílio virtual se desfaz em pedaços e desaparece, enquanto se afirma o verdadeiro Concílio com toda a sua força espiritual" (Cf. Discurso de Bento XVI à Diocese de Roma).

As vocações são abundantes em ambientes conservadores, ao passo que as instituições progressistas agonizam
Sob essa ótica, os oito anos de pontificado de Bento XVI foram realmente providenciais, pois despertaram nos fiéis aqueles típicos sentimentos católicos: a devoção mariana, o amor à Eucaristia e a fidelidade ao Santo Padre. Embora ainda seja um movimento tímido, esse grupo de fiéis que tem buscado viver a fé católica de forma plena é vigoroso e está em ascensão.Ademais, é majoritariamente constituído por vocações jovens, ao passo que as instituições progressistas agonizam. Os escombros das revoluções e o fracasso de uma espiritualidade vazia, na qual o homem é quem está no centro, foram o suficiente para iluminar a visão dessa nova geração quanto à falsidade do tal "Espírito do Concílio". Bento XVI convocou o seu clero - e, consequentemente, a todos os católicos - para que neste Ano da Fé o verdadeiro Concílio Vaticano II fosse aplicado e se tornasse realidade viva dentro da Igreja. Aos poucos, essa resposta já está sendo dada.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Uma carta fiel ao Santo Padre...
Queridos tirem 5 minutinhos do seu tempo para ler essa carta até o final, maravilhosa...
¡Siempre renuncias, Benedicto!
"Tenho 23 anos e ainda não entendo muitas coisas. E há muitas coisas que não se podem entender as 8h da manhã quando te acordam para dizer em poucas palavras: “Daniel, o papa se demitiu.” Eu apressadamente contestei: “Demitiu?”. A resposta era mais que óbvia, “Renunciou, Daniel, o papa renunciou!”.
O papa renunciou. Assim amanheceu escrito em todos os jornais, assim amanheceu o dia para a maioria, assim rapidamente alguns tantos perderam a fé e outros muitos a reforçaram. Poucas pessoas entendem o que é renunciar.
Eu sou católico. Um de muitos. Desses que durante sua infância foi levado à missa, cresceu e criou apatia. Em algum ponto ao longo da estrada deixei pra lá toda a minha crença e a minha fé na Igreja, mas a Igreja não depende de mim para seguir, nem de ninguém (nem do Papa). Em algum ponto da minha vida, voltei a cuidar da minha parte espiritual e assim, de repente e simplesmente, prossegui um caminho no qual hoje eu digo: Sou católico. Um de muitos sim, mas católico por fim. Mas assim sendo um doutor em teologia, ou um analfabeto em escrituras (desses que há milhões), o que todo mundo sabe é que o Papa é o Papa. Odiado, amado, objeto de provocações e orações, o Papa é o Papa, e o Papa morre sendo Papa. Por isso hoje quando acordei com a notícia, eu, junto a milhões de seres humanos, nos perguntamos “por que?”. Por que renuncia senhor Ratzinger? Sentiu medo? Sentiu a idade? Perdeu a fé? A ganhou? E hoje, 12 horas depois, creio que encontrei a resposta: O senhor Ratzinger renunciou porque é o que ele fez a sua vida inteira.
Simples assim.
O papa renunciou a uma vida normal. Renunciou ter uma esposa. Renunciou ter filhos. Renunciou ganhar um salário. Renunciou a mediocridade. Renunciou as horas de sono pelas horas de estudo. Renunciou ser só mais um padre, mas também renunciou ser um padre especial. Renunciou preencher a sua cabeça de Mozart, para preenchê-la de teologia. Renunciou a chorar nos braços de seus pais. Renunciou a, tendo 85 anos, estar aposentado, desfrutando de seus netos na comodidade de sua casa e no calor de uma lareira. Renunciou desfrutar de seu país. Renunciou seus dias de folga. Renunciou sua vaidade. Renunciou a defender-se contra os que o atacavam. Sim, isso me deixa claro que o Papa foi, em toda sua vida, muito apegado à renuncia.
E hoje, voltou a demonstrar. Um papa que renuncia a seu pontificado quando sabe que a Igreja não está em suas mãos, mas nas mãos de alguém maior, parece ser um Papa sábio. Nada é maior que a Igreja. Nem o Papa, nem seus sacerdotes, nem os laicos, nem os casos de pedofilia, nem os casos de misericórdia. Nada é maior que ela. Mas ser Papa nesse tempo do mundo, é um ato de heroísmo (desses heroísmos que acontecem diariamente em nosso país e ninguém nota). Recordo sem dúvida, as histórias do primeiro Papa. Um tal... Pedro. Como morreu? Sim, em uma cruz, crucificado igual ao teu mestre, mas de cabeça para baixo. Hoje em dia, Ratzinger se despede de modo igual. Crucificado pelos meios de comunicação, crucificado pela opinião pública e crucificado pelos seus irmãos católicos. Crucificado pela sombra de alguém mais carismático. Crucificado na humildade que tanto dói entender. É um mártir contemporâneo, desses que se pode inventar histórias, a esses que se pode caluniar e acusar a vontade, que não respondem. E quando responde, a única coisa que faz é pedir perdão. “Peço perdão pelos meus defeitos”. Nem mais, nem menos. Quanta nobreza, que classe de ser humano. Eu poderia ser mórmon, ateu, homossexual e abortista, mas ver uma pessoa da qual se dizem tantas coisas, que recebe tantas críticas e ainda responde assim... esse tipo de pessoa, já não se vê tanto no mundo.
Vivo em um mundo onde é engraçado zombar o Papa, mas que é um pecado mortal zombar um homossexual (e ser taxado como um intolerante, fascista, direitista e nazista). Vivo em um mundo onde a hipocrisia alimenta as almas de todos nós. Onde podemos julgar um senhor de 85 anos que quer o melhor para a Instituição que representa, mas lhe indagamos com um “Com que direito renuncia?”. Claro, porque no mundo NINGUÉM renuncia a nada. Ninguém se sente cansado ao ir pra escola. Ninguém se sente cansado ao ir trabalhar. Vivo um mundo onde todos os senhores de 85 anos estão ativos e trabalhando (sem ganhar dinheiro) e ajudam às massas. Sim, claro.
Mas agora sei, senhor Ratzinger, que vivo em um mundo que vai sentir falta do senhor. Em um mundo que não leu seus livros, nem suas encíclicas, mas que em 50 anos se lembrará como, com um simples gesto de humildade, um homem foi Papa, e quando viu que havia algo melhor no horizonte, decidiu partir por amor à sua Igreja. Vá morrer tranquilo senhor Ratzinger. Sem homenagens pomposas, sem um corpo exibido em São Pedro, sem milhares aclamando aguardando que a luz de seu quarto seja apagada. Vá morrer, como viveu mesmo sendo Papa: humildemente.
Bento XVI, muito obrigado por suas renuncias.
Quero somente pedir minhas mais humildes desculpas se alguém se sentiu ofendido ou insultado com meu artigo. Considero a cada uma (mórmons, homossexuais, ateus e abortistas) como um irmão meu, nem mais nem menos. Sorriam, que vale a pena ser feliz.
Artigo postado em http://oehd.wordpress.com/ 2013/02/12/ siempre-renuncias-benedicto/
"Tenho 23 anos e ainda não entendo muitas coisas. E há muitas coisas que não se podem entender as 8h da manhã quando te acordam para dizer em poucas palavras: “Daniel, o papa se demitiu.” Eu apressadamente contestei: “Demitiu?”. A resposta era mais que óbvia, “Renunciou, Daniel, o papa renunciou!”.
O papa renunciou. Assim amanheceu escrito em todos os jornais, assim amanheceu o dia para a maioria, assim rapidamente alguns tantos perderam a fé e outros muitos a reforçaram. Poucas pessoas entendem o que é renunciar.
Eu sou católico. Um de muitos. Desses que durante sua infância foi levado à missa, cresceu e criou apatia. Em algum ponto ao longo da estrada deixei pra lá toda a minha crença e a minha fé na Igreja, mas a Igreja não depende de mim para seguir, nem de ninguém (nem do Papa). Em algum ponto da minha vida, voltei a cuidar da minha parte espiritual e assim, de repente e simplesmente, prossegui um caminho no qual hoje eu digo: Sou católico. Um de muitos sim, mas católico por fim. Mas assim sendo um doutor em teologia, ou um analfabeto em escrituras (desses que há milhões), o que todo mundo sabe é que o Papa é o Papa. Odiado, amado, objeto de provocações e orações, o Papa é o Papa, e o Papa morre sendo Papa. Por isso hoje quando acordei com a notícia, eu, junto a milhões de seres humanos, nos perguntamos “por que?”. Por que renuncia senhor Ratzinger? Sentiu medo? Sentiu a idade? Perdeu a fé? A ganhou? E hoje, 12 horas depois, creio que encontrei a resposta: O senhor Ratzinger renunciou porque é o que ele fez a sua vida inteira.
Simples assim.
O papa renunciou a uma vida normal. Renunciou ter uma esposa. Renunciou ter filhos. Renunciou ganhar um salário. Renunciou a mediocridade. Renunciou as horas de sono pelas horas de estudo. Renunciou ser só mais um padre, mas também renunciou ser um padre especial. Renunciou preencher a sua cabeça de Mozart, para preenchê-la de teologia. Renunciou a chorar nos braços de seus pais. Renunciou a, tendo 85 anos, estar aposentado, desfrutando de seus netos na comodidade de sua casa e no calor de uma lareira. Renunciou desfrutar de seu país. Renunciou seus dias de folga. Renunciou sua vaidade. Renunciou a defender-se contra os que o atacavam. Sim, isso me deixa claro que o Papa foi, em toda sua vida, muito apegado à renuncia.
E hoje, voltou a demonstrar. Um papa que renuncia a seu pontificado quando sabe que a Igreja não está em suas mãos, mas nas mãos de alguém maior, parece ser um Papa sábio. Nada é maior que a Igreja. Nem o Papa, nem seus sacerdotes, nem os laicos, nem os casos de pedofilia, nem os casos de misericórdia. Nada é maior que ela. Mas ser Papa nesse tempo do mundo, é um ato de heroísmo (desses heroísmos que acontecem diariamente em nosso país e ninguém nota). Recordo sem dúvida, as histórias do primeiro Papa. Um tal... Pedro. Como morreu? Sim, em uma cruz, crucificado igual ao teu mestre, mas de cabeça para baixo. Hoje em dia, Ratzinger se despede de modo igual. Crucificado pelos meios de comunicação, crucificado pela opinião pública e crucificado pelos seus irmãos católicos. Crucificado pela sombra de alguém mais carismático. Crucificado na humildade que tanto dói entender. É um mártir contemporâneo, desses que se pode inventar histórias, a esses que se pode caluniar e acusar a vontade, que não respondem. E quando responde, a única coisa que faz é pedir perdão. “Peço perdão pelos meus defeitos”. Nem mais, nem menos. Quanta nobreza, que classe de ser humano. Eu poderia ser mórmon, ateu, homossexual e abortista, mas ver uma pessoa da qual se dizem tantas coisas, que recebe tantas críticas e ainda responde assim... esse tipo de pessoa, já não se vê tanto no mundo.
Vivo em um mundo onde é engraçado zombar o Papa, mas que é um pecado mortal zombar um homossexual (e ser taxado como um intolerante, fascista, direitista e nazista). Vivo em um mundo onde a hipocrisia alimenta as almas de todos nós. Onde podemos julgar um senhor de 85 anos que quer o melhor para a Instituição que representa, mas lhe indagamos com um “Com que direito renuncia?”. Claro, porque no mundo NINGUÉM renuncia a nada. Ninguém se sente cansado ao ir pra escola. Ninguém se sente cansado ao ir trabalhar. Vivo um mundo onde todos os senhores de 85 anos estão ativos e trabalhando (sem ganhar dinheiro) e ajudam às massas. Sim, claro.
Mas agora sei, senhor Ratzinger, que vivo em um mundo que vai sentir falta do senhor. Em um mundo que não leu seus livros, nem suas encíclicas, mas que em 50 anos se lembrará como, com um simples gesto de humildade, um homem foi Papa, e quando viu que havia algo melhor no horizonte, decidiu partir por amor à sua Igreja. Vá morrer tranquilo senhor Ratzinger. Sem homenagens pomposas, sem um corpo exibido em São Pedro, sem milhares aclamando aguardando que a luz de seu quarto seja apagada. Vá morrer, como viveu mesmo sendo Papa: humildemente.
Bento XVI, muito obrigado por suas renuncias.
Quero somente pedir minhas mais humildes desculpas se alguém se sentiu ofendido ou insultado com meu artigo. Considero a cada uma (mórmons, homossexuais, ateus e abortistas) como um irmão meu, nem mais nem menos. Sorriam, que vale a pena ser feliz.
Artigo postado em http://oehd.wordpress.com/
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
A renúncia do Papa e os oportunistas da imprensa secular
| Categoria: Notícias

Que a mídia secular não é o melhor meio para se informar a respeito da Igreja Católica, isso não é novidade. Basta fazer uma rápida leitura nas manchetes dos principais jornais do país a respeito da renúncia do Papa Bento XVI para se ter a certeza de que o amadorismo reina nessas aclamadas agências de notícias. No entanto, acreditar na simples inocência desses senhores e cobri-los com um véu de caridade por seus comentários maldosos e, muitas vezes, insultuosos não seria honesto. É necessário compreender muito bem que muitos desses veículos estão ardorosamente comprometidos com a desinformação e com os princípios contrários à reta moral defendida pela Igreja. Daí a quantidade de sandices que surgiram na mídia nos últimos dias.
Logo após o anúncio da decisão do Santo Padre, publicou-se na imprensa do mundo todo que a ação de Bento XVI causaria uma "revolução" sem precedentes na doutrina da Igreja. Uma atrapalhada correspondente de uma emissora brasileira afirmou que a renúncia do papa abriria caminho para as "reformas" do Concílio Vaticano II e que isso daria mais poderes aos bispos. Já outros declaravam que os recentes fatos colocavam em xeque o dogma da "Infalibilidade Papal", proclamado pelo Concílio Vaticano I. Nada mais fantasioso.
É verdade que uma renúncia tal qual a de Bento XVI nunca houve na história da Igreja. A última resignação de um papa aconteceu ainda na Idade Média e em circunstâncias bem diversas. Todavia, isso não significa que o Papa Ratzinger tenha modificado ou inventado qualquer novo dogma ou lei eclesiástica. O direito à renúncia do ministério petrino já estava previsto no Código do Direito Canônico, promulgado pelo Beato João Paulo II em 1983. Portanto, de modo livre e consciente - como explicou no seu discurso - Bento XVI apenas fez uso de um direito que a lei canônica lhe dava e nada nos autoriza a pensar que fora diferente. Usar desse pretexto para fazer afirmações tacanhas sobre dogmas e reformas na Igreja é simplesmente ridículo. Quem faz esses comentários carece de profundos conhecimentos sobre a doutrina católica, sobretudo a expressa no Concílio Vaticano II.
Outros comentaristas foram mais longe nas especulações e atestaram que a renúncia do Papa devia-se às pressões internas que ele sofria por seu perfil tradicionalista e conservador. Além disso, as crises pelos escândalos de pedofilia e vazamentos de documentos internos também teriam pesado na decisão. Não obstante, quem conhece o pensamento de Bento XVI sabe que ele jamais tomaria essa decisão se estivesse em meio a uma crise ou situação que exigisse uma particular solicitude pastoral. E isso ficou muito bem expresso na sua entrevista com o jornalista Peter Seewald - publicada no livro Luz do Mundo - na qual o Papa explica que em momentos de dificuldades, não é possível demitir-se e passar o problema para as mãos de outro.
Mas de todas as notícias veiculadas por esses jornais, certamente as mais esdrúxulas foram as que fizeram referência às antigas "profecias" apocalípiticas que prediziam o fim da Igreja Católica. Numa dessas reportagens, um notório jornal do Brasil dizia: "O anúncio da renúncia do papa Bento 16 fez relembrar a famosa "Profecia de São Malaquias", que anuncia o fim da Igreja e do mundo". É curioso notar o repentino surto de fé desses reconhecidos laicistas logo em teorias que proclamam o fim da Igreja. Isso tem muito a dizer a respeito deles e de suas intenções.
Por fim, também não faltaram os especialistas de plantão e teólogos liberais chamados pelas bancadas dos principais jornais do país para pedir a eleição de um papa "mais aberto". Segundo esses doutos senhores, a Igreja deveria ceder em assuntos morais, permitindo o uso da camisinha, do aborto e casamento gay para conter o êxodo de fiéis para as seitas protestantes. A essas pretensões deve-se responder claramente: A Igreja jamais permitirá aquilo que vai contra a vontade de Deus e nenhum Papa tem o poder de modificar isso. A doutrina católica é imutável. Ademais, os fiéis jovens da Igreja têm se mostrado cada vez mais conservadores e avessos à moral liberal. Inovações liberais para atrair fiéis nunca deram certo e os bancos vazios da Igreja Anglicana são a maior prova disso.
O comportamento vil da mídia secular leva-nos a fazer sérios questionamentos sobre a credibilidade e idoneidade dos chefes de redações que compõem as mesas desses jornais. Das duas, uma: ou esses senhores carecem de formação adequada e por isso seus textos são recheados de ignorâncias e nonsenses, ou então, esses doutos jornalistas têm um sério compromisso com a desinformação e a manipulação dos fatos, algo que está diametralmente oposto ao Código de Ética do Jornalismo. Se fôssemos seguir a cartilha desses órgãos de imprensa, hoje seríamos obrigados a crer que Bento XVI liberou a camisinha, excomungou o boi e o jumento do presépio, acobertou padres pedófilos e mais uma série de disparates que uma simples leitura correta dos fatos seria o suficiente para derrubar a mentira.
Na sua mensagem para o Dia Mundial da Comunicação de 2008, o Papa Bento XVI alertou para os riscos de uma mídia que não está comprometida com a reta informação. "Constata-se, por exemplo, que em certos casos as mídias são utilizadas, não para um correcto serviço de informação, mas para «criar» os próprios acontecimentos", denunciou o Santo Padre. Bento XVI assinalou que os meios de comunicação devem estar ordenados para a busca da verdade e a sua partilha. Pelo jeito, a imprensa secular ainda tem muito a aprender com o Santo Padre.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
"Eu sabia da renúncia desde Setembro de 2011"
Publicamos este interessante artigo do jornalista italiano Antonio Socci que, num furo jornalístico extraordinário, já havia anunciado, há um ano e meio (!), a decisão de Bento XVI de renunciar ao Pontificado.

Autor: Antonio Socci | 12 de fevereiro de 2013.
A renúncia de Bento XVI não é somente uma notícia explosiva, mas um evento epocal, sem precedentes (pode-se citar o caso de Celestino V, há setecentos anos, mas foi um acontecimento muito diferente, num contexto bem diverso).
O que está acontecendo diante de nossos olhos é um acontecimento que, pela sua própria natureza planetária e espiritual, faz empalidecer todas as outras notícias de acontecimentos destes dias e certamente não tem relação alguma com elas (a começar com as eleições italianas).
Ontem, Ezio Mauro, na reunião de redação de "República" transmitida no site, e que obviamente foi dedicada ao pontífice, revelou que Bento XVI chegou a esta decisão "depois de uma longa reflexão. Hoje pela manhã – acrescentou Mauro – ele nos disse que já tinha tomado a decisão há tempo e que mesmo assim a manteve no segredo".
Na realidade a decisão foi tomada, pelo menos desde o verão de 2011 e não era mais uma notícia secreta desde 25 de setembro de 2011, quando, neste jornal, eu a trouxe à luz, tendo dela sabido de diversas fontes, todas confiáveis e independentes umas das outras. Naquela ocasião, a entrega do cargo fora pensada, por Ratzinger, para o seu aniversário de 85 anos, ou seja, na primavera de 2012.
O problema é que, dois meses depois do meu artigo, no outono de 2011, começou a eclodir o caso do vazamento de informações do Vaticano (conhecido como Vatileaks) e imediatamente ficou claro – até que não se concluísse o caso – que o Santo Padre não colocaria em prática sua decisão. De fato, no livro de entrevista publicado há alguns anos, "Luz do mundo", com Peter Seewald, analisando a possibilidade de renúncia de forma teórica, explicara que, quando a Igreja se encontra em meio a uma tempestade, um Papa não pode renunciar.
Por isto, no dia 11 de março de 2012, faltando um mês para o aniversário de 85 anos do Pontífice (que é 16 de abril), eu escrevi nesta coluna: "É necessário que se diga que a tempestade que se abateu nestes meses sobre a Cúria vaticana, em particular sobre a Secretaria de Estado, afastou a hipótese da renúncia do Papa, o qual sempre deixou claro que a renúncia deve ser excluída quando a Igreja está em grande dificuldade, pois poderia parecer uma fuga da responsabilidade". A forma como os fatos se desenvolveram posteriormente confirma esta reconstrução. Já que a renúncia do Papa aconteceu, finalmente, passado exatamente um mês da conclusão definitiva do caso Vatileaks, com o perdão concedido ao mordomo Paulo Gabriele.
Sinal de que esta renúncia já havia sido efetivamente pensada no verão de 2011.
Eis as razões apresentadas ontem pelo Papa: "cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério petrino".
Com sua habitual clareza, o Papa disse a simples verdade e fez a escolha que considera a melhor para o bem da Igreja, escolha esta, aliás, de humildade, que é uma característica importante de sua humanidade e de sua fé.
Nós, no entanto, podemos e devemos observar que quase todos os papas precedentes envelheceram e permaneceram no cargo, embora com forças reduzidas, governando através de seus colaboradores.
Pode-se então levantar a hipótese que Bento XVI não tenha feito esta escolha por julgar não ter colaboradores à altura desta tarefa (com a sua renúncia, decaem os cargos mais importantes da cúria).
Pode-se claramente dizer que Bento XVI foi um grande pontífice e que o seu pontificado foi – ao menos em parte – dificultado por uma Cúria que não estava à sua altura, mas também pela escassa sintonia com o Papa por parte do episcopado.
Joseph Ratzinger, que confirma ser um papa extraordinário também com esta sua saída de cena, certamente carregou a cruz do ministério petrino sofrendo muito e dando tudo de si mesmo(não lhe faltaram nem incompreensões, nem desprezo).
Foi uma pena verificar que o seu esplêndido magistério muitas vezes não foi escutado.
Quando publiquei o meu furo jornalístico, escrevi que teria o desejo de ser desmentido pelos fatos e esperava que nós católicos rezássemos para que Deus nos conservasse este grande Papa por mais tempo.
Infelizmente, muitos crentes, ao invés de escutar este meu apelo à oração se puseram a me atacar, como se fosse crime de lesa majestade dar a notícia de que o Papa estava considerando a renúncia. Uma reação puritana que demonstra um certo clericalismo bem comum. Bento XVI – com a sua constante apologia da consciência e da razão – está entre os poucos que não possuem uma mentalidade clericalista.
Basta recordar que não hesitou em chamar com o seu nome próprio todas as pragas da Igreja e de denunciá-las como jamais se fizera.
Na sua admirável liberdade moral ele não hesitou nem mesmo em desmentir alguns de seus colaboradores mais próximos sobre o "segredo de Fátima". Aconteceu em 2010, quando decidiu fazer uma repentina peregrinação ao santuário português e lá declarou:
"Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída [...] Na Sagrada Escritura, é frequente aparecer Deus à procura de justos para salvar a cidade humana e o mesmo faz aqui, em Fátima. [...] Possam os sete anos que nos separam do centenário das Aparições apressar o anunciado triunfo do Coração Imaculado de Maria para glória da Santíssima Trindade".
Uma expressão que certamente faz pensar (o centenário das aparições de Fátima será em 2017), também numa relação com os famosos "dez segredos" de Medjugorje.
Por outro lado, o próprio anúncio da renúncia aconteceu em uma data gloriosamente mariana, o 11 de fevereiro, aniversário (e festa litúrgica) das aparições da Virgem de Lourdes. É fácil prever que agora irão se desencadear explicações fantasiosas, que irão evocar Malaquias, a monja de Dresden e todo o resto.
Permanece, porém, o fato que o Papa, com o peso da decisão epocal que assumiu, coloca toda a Igreja diante da gravidade dos tempos que vivemos. Gravidade que Nossa Senhora enfatizou dolorosamente em todas as aparições modernas, desde La Salette, Lourdes, Fátima e Medjugorje (passando pelo misterioso e milagroso derramamento de lágrimas da imagem de Nossa Senhora em Civittavecchia).
É de se esperar, além do mais, que não se atribua a este nosso amado Papa, aquilo que foi atribuído a um seu predecessor, Pio X, que a Igreja proclamou santo.
É um episódio que tem sido difundido há alguns meses em alguns ambientes católicos e também na Cúria.
Parece que Pio X, em 1909, teria tido uma visão durante uma audiência que o angustiou: "O que vi foi terrível! Serei eu, ou um meu sucessor? Vi o Papa fugir do Vaticano entre os cadáveres de seus padres. Irá refugiar-se em algum lugar, incógnito, e depois morrerá de morte violenta".
Parece que teria voltado a esta visão em 1914, perto de sua morte. Ainda lúcido, transmitiu novamente o conteúdo da visão e comentou: "O respeito a Deus desapareceu dos corações. Deseja-se até mesmo apagar a sua lembrança".
Há algum tempo circula esta "profecia" também porque se diz que Pio X teria igualmente declarado que se trata de "um de meus sucessores com nome igual ao meu". O nome de Pio X era Giuseppe Sarto. Ou seja, José, portanto, Joseph. Desejo ardentemente que se trate de uma falsa profecia ou que não diga respeito aos nossos dias.
Mas a sua divulgação faz ver o quanto o pontificado de Bento XVI – como o de seu predecessor – esteja circundado de inquietações.
Além do mais, foi ele mesmo quem o iniciou pedindo a oração dos fieis para que não fugisse diante dos lobos. O Papa não fugiu.
Sofreu e realizou a sua missão até que pôde e hoje pede à Igreja um sucessor que tenha as forças para assumir este pesado ministério. Além do mais, para todos é evidente que o papado, já faz três séculos, tornou-se um lugar de martírio branco, da mesma forma com que, nos primeiros séculos, significava certamente o martírio de sangue.
De fato, os tempos modernos se abriram com um outro evento místico acontecido com o papa Leão XIII, o papa da "questão social" e da "Rerum novarum". No dia 13 de outubro de 1884 (13 de outubro é também o dia do milagre do sol em Fátima) o pontífice teve uma visão durante a celebração eucarística.
Ficou chocado e abalado. O pontífice explicou que dizia respeito ao futuro da Igreja. Revelou que Satanás, nos cem anos seguintes, chegaria ao cume de seu poder e que faria de tudo para destruir a Igreja.
Parece que ele teria visto também a Basílica de São Pedro assediada por demônios que a faziam tremer.
O fato certo, porém, é que o Papa Leão se recolheu imediatamente em oração e escreveu aquela maravilhosa oração a São Miguel Arcanjo, vencedor de Satanás e protetor da Igreja, que desde então era recitada em todas as igrejas, no fim da Missa.
Esta oração foi abolida com a reforma litúrgica que se seguiu ao Concílio Vaticano II, a reforma litúrgica que Bento XVI procurou tanto reelaborar. Nunca como hoje a Igreja necessita da oração de proteção a São Miguel Arcanjo.
Fonte: antoniosocci.com | Tradução: padrepauloricardo.o
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