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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O PÃO QUE ALIMENTA A NOSSA CAMINHADA E MISSÃO


Postado por Bacharel em teologia Jose Benedito Schumann Cunha

Queridos irmãos e irmãs, estamos no 19° domingo do tempo comum e ainda celebramos o dia dos Pais. A liturgia nos faz participante do Reino de Deus. Nós podemos receber o pão da Palavra que nos ilumina e a Eucaristia que nos dá forção para sermos missionários e evangelizador nesse mundo. Deus é Pai que preocupa com o homem e dá o pão pleno que nos dá vida eterna.
No livro do Primeiro Reis, encontramos a passagem onde o profeta  Elias recebe no deserto um "pão do céu" para refazer as forças e continuar a sua missão que Deus lhe confia.(1 Rs 19,4-8). O contexto bíblico nos mostra a coragem do profeta de acusar o Rei e a Rainha de ser o agente da ruina de Israel. Ele desafiou-os e ainda matara os profetas de Baal num desafios de qual Deus é verdadeiro. Esses profetas do rei que davam sustentação da religião paga da rainha Jesabel. Isto aconteceu por volta de 450 anos antes de Cristo. Por causa disso, o profeta recebeu ameaça de morte, fazendo com que ele fugisse para o deserto. Lembramos que o deserto, o Povo de Deus encontrou a fonte da fé em Deus. Lá Deus deu alimento e agua ao povo faminto e sedento. Agora, Elias cansado, abatido e desanimado devido a perseguição , deita de baixo de uma arvore e dorme, esperando a morte.
O nosso Deus é zeloso e não nos deixa só, manda um anjo e acorda Elias dizendo: “levanta e come”. Ele sente o vigor desse alimento do céu e o faz novamente firme na sua missão sem temer os inimigos. Por quarenta dias e quarenta noites caminha e chega ao Monte Horebe, lugar do encontro com Deus. Assim, esse pão do céu dado a Elias nós recebemos em cada eucaristia que participamos. A condição é estar em comunhão com Deus na fidelidade a Ele, pois Ele é pai bondoso que está sempre ao nosso lado. Na vida é assim nós caminhos em deserto do mundo cheio de maldade e decepções que nos faz recuar, mas nós encontramos a força em Cristo na comunidade Igreja.
 São Paulo na carta aos Efésios nos convoca a sermos imitadores de Deus, que é bondade, misericórdia e amor-perdão. Devemos pedir ao Espirito Santo para que nos ajude arrancar no nosso meio a vaidade, rancores, a prepotência e colocar no nosso coração amor, doçura, serviço e compreensão com todos. (cf. Ef 4, 30-5,2)
No Evangelho de São João prossegue o discurso de Jesus em Cafarnaum, onde Jesus se apresentara como o "Pão" descido do céu para dar vida ao mundo. Isso provoca aos presentes uma reação entre os judeus que muravam entre si. É parecido com a murmuração do Povo no deserte. Jesus não desanima e resiste esta oposição e refirma a bom tom que é  "Eu sou o pão descido do céu… Quem come desse pão viverá eternamente". Isso exige de cada um de nós a fé em Jesus, pois Ele nos fala: "Quem crê, tem a vida eterna. Quem dele comer, não morrerá..." assim quando alimentamos de Jesus que é seu corpo e sangue nos anima para missão e responder com firmeza a proposta de Deus a nós (cf. Jo 6,41-51)
Somos chamados a sermos evangelizadores sem temer as reações contrarias ao projeto de Deus. Deus é pai e chama a cada pai de hoje serem firmes na fé, correto nas suas ações e não temer de estar ligado a Deus na escuta da sua Palavra e da eucaristia que dão forção na sua missão. Um bom pai deve preocupar de dar o melhor para seus filhos. Deve dar a o alimento material, mas não se esquecer de dar o alimento espiritual que vem da nossa participação na Igreja e nas pastorais em que estamos engajados. Que esta liturgia nos ajude a sermos participantes da Igreja, da comunidade, da família e aonde estivermos, e desta maneira não desanimar nunca diante das dificuldades e situações adversas para poder cumprir a missão de cristão e de pai no mundo. Amém

terça-feira, 7 de agosto de 2012

O centro da nossa existência é a fé em Jesus, diz Bento XVI


Queridos irmãos e irmãs, nós estamos na Igreja de Cristo, tornamos filhos e filhas de Deus em Jesus, pelo Batismo. Isto é graça de Deus. Nós fomos Batizados na fé da Igreja, dos nossos pais e padrinhos que pediram a Ela, o Batismo para nós, mesmo sendo crianças. Eles queriam o melhor para nós. A Nossa família e a Igreja nos dão alimento, educação e também a filiação cristã. Na Igreja aprendemos ser solidários com todos, principalmente com os pobres, excluídos e os famintos de nosso tempo. Devemos aprender de Jesus, pois Ele nos dá pão que nos mata a fome material e espiritual. Jesus nos ensina a partilha e o amor a todos. A condição para termos vida plena é estar em comunhão com Jesus e com todos nossos irmãos e irmãs de caminhada rumo a eternidade. (1)
“O Senhor nos convida a não esquecer que, se é necessário preocuparmo-nos com o pão material, mais fundamental ainda é fazer crescer a relação com Ele”. “O centro da existência, ou seja, aquilo que dá pleno sentido e firme esperança ao caminho tantas vezes difícil, é a fé em Jesus, é o encontro com Cristo”. A afirmação foi dita pelo Papa Bento XVI no Angelus deste domingo, 5.  Centenas de pessoas foram até a residência apostólica de Castel Gandolfo, onde o Santo Padre passa um período de descanso, para acompanhar sua tradicional reflexão dominical. O Papa comentou o Evangelho do dia (cf. Jo 6, 24-35), em que Jesus interpela a multidão pelo fato de O procurarem não por terem visto os sinais de Deus, mas apenas por terem sido saciados, com a multiplicação dos pães. (2)
“Jesus quer ajudar as pessoas a não ficarem apenas no nível da satisfação imediata das próprias necessidades materiais, por muito importantes que sejam. Quer abrir a um horizonte da existência que não é simplesmente o das preocupações cotidianas do comer, do vestir, da carreira”, destacou Bento XVI. As pessoas não compreendem o que Jesus lhes propõe. Pensam que lhes pede o cumprimento de qualquer preceito, para que o milagre continue. Mas a resposta de Jesus é: “a obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou”. “O centro da existência, ou seja, aquilo que dá pleno sentido e firme esperança ao caminho tantas vezes difícil, é a fé em Jesus, é o encontro com Cristo. Não se trata de seguir uma ideia, um projeto, mas de O encontrar como uma Pessoa viva, de deixar-se tomar totalmente por Ele e pelo seu Evangelho. Jesus convida a não nos determos no horizonte humano, mas a abrir-nos ao horizonte de Deus, ao horizonte da fé. Ele exige uma única obra: acolher o plano de Deus, isto é, ‘crer n’Aquele que Ele enviou’.” (2)
Não é com a atividade humana que podemos “ganhar” Jesus, o verdadeiro pão que sacia a nossa fome de sentido, de verdade. Ele vem a nós apenas como dom do amor de Deus, como “obra de Deus”, que nos toca pedir e acolher. “Caros amigos, nas nossas jornadas cheias de ocupações e de problemas, mas também nas de repouso e distensão, o Senhor nos convida a não esquecer que, se é necessário preocuparmo-nos com o pão material e com o retemperar das forças, mais fundamental ainda é fazer crescer a relação com Ele, reforçar a nossa fé n’Aquele que é o ‘pão da vida’, que enche o nosso desejo de verdade e amor”. (2)
As palavras do nosso papa Bento XVI e o Evangelho desse domingo nos fazem pensar e refletir na importância da nossa pertença a Jesus. Deus nos ama e envia a Jesus para nos ensinar o caminho correto de chegarmos a Ele por Jesus. Muitos já encontraram esse caminho e já se encontram com Cristo na eternidade de Deus. Jesus nos ensina a vivermos na fé Nele e assumir compromisso  com o bem comum. Não podemos se fechar no nosso mundo particular como que ninguém esteja ao nosso lado, gritando por nós. Jesus faz milagres, mas precisa que nós estejamos com Ele sem nenhum interesse. Deus dá a verdadeira comida que nunca acaba, pois nos sacia completamente. Mas, esse alimento é compromisso com todos e isto ajuda a construir o Reino de Deus já no nosso meio em vista da eternidade. Amém
(1)    Bacharel em teologia Jose Benedito Schumann Cunha
(2)    www.cancaonova.com 05-08-2012

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O seu voto pode mudar a história!


Estamos nos aproximando do mês de outubro, em que o povo brasileiro vai às urnas, desta vez, para decidir os próximos quatro anos de sua cidade. Teremos eleições para prefeito e vereador. Para tanto, a Igreja tem nos exortado
a escolher nossos candidatos de modo consciente e correto. Não é função da Igreja apontar um candidato aos seus fiéis,
mas ela deve orientá-los na escolha.
Participar da política é uma maneira exigente de viver o compromisso cristão ao serviço dos outros. O eleitor tem o dever de ser corresponsável na formação de uma nova civilização, baseada na defesa incondicional da vida, desde a fecundação até a morte natural. Por isso, nós, católicos, não podemos votar em candidatos – nem em partidos! – que não defendam a vida, mesmo que esses candidatos sejam nossos amigos.
A defesa da cultura da vida exige que os valores da bioética não sejam separados dos valores da ética social. Afinal, está na totalidade destes valores a expressão clara de pessoa, comunidade e bem comum, eixo da Doutrina Social
da Igreja. Exemplos disso são as Leis de iniciativa popular n. 9.840/1999, contra a corrupção eleitoral e a compra e venda de votos, e a Lei n. 135/2010, conhecida como Lei da Ficha Limpa.
Os futuros eleitos de nossas cidades serão nossos delegados no poder, portanto, o cristão tem dupla responsabilidade nesta empreitada. Responsabilidade do bom uso da “razão” e da “fé”, das quais não pode negligenciar: “Ao negligenciar os seus deveres temporais, o cristão egligencia os seus deveres com relação ao o próximo e ao próprio Deus e coloca em perigo a sua salvação eterna” (Gaudium et spes,n. 43).
“Recomenda-se particular cuidado quanto aos partidos que incluem em suas listas líderes católicos, com a única função de somar votos para a sigla. Os votos dados a tais candidatos contribuem para a eleição de políticos nem sempre merecedores de apoio” (CNBB, Doc. 67, n°58). “É oportuno exercer a vigilância com relação aos partidos que continuam indicando como seus candidatos pessoas comprovadamente inescrupulosas. Os eleitores devem ser orientados a não apoiar tais candidatos, e até recusar qualquer candidato de um partido que acoberte tais pessoas” (CNBB, Doc. 67, n°57).
A escolha do candidato deve ser feita a partir do seu projeto político, do seu respeito ao pluralismo cultural e religioso, do seu comportamento ético e de suas qualidades (como honesti-dade, competência, liderança, transparência, vontade de servir ao bem comum), bem como do seu compromisso com a justiça. Não deixe sua escolha para a última hora. Investigue os candidatos. Saber votar é saber escolher um bom candidato e um bom partido ou coligação. Preste muita atenção nas coligações. Estude com critério as possibilidades e vote com consciência. As eleições de outubro serão uma excelente oportunidade para garantirmos vida com dignidade para todos. Ainda há tempo. Vamos nos preparar bem para esse momento! Vamos dizer “não” aos corruptos! Vamos mudar essa história!
Kátia Maria Bouez Azzi
Consagrada Comunidade Católica Pantokrator
Bacharel em Teologia

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Sou Marcada por uma Ferida de Amor


Diante das nossas limitações é comum nos questionarmos o porquê Deus escolheu a nós e não a tantos outros… Nessa hora Deus vem manifestar que a sua escolha é por tudo o que Ele sabe que somos e não por aquilo que vemos e sabemos de nós mesmos.
Fomos marcados por uma ferida de Amor, que nos separa no mundo e nos leva a pertencer a Cristo. Não como uma obrigação, mas porque essa ferida nos faz reconhecer que Deus nos ama até o ciúme e que a sua escolha por nós ésalvação para nossas vidas.
E o que fazemos com tantas incapacidades e limitações?Fixemos o nosso olhar na marca que trazemos da escolha de Deus que já sabia de cada uma de nossas lentidões e como a Pedro nos chama a deixar nosso barco e a seguí-Lo.(cf. Mateus 4, 18 – 20)
Alegremos o nosso coração por descobrir que Deus nos olha, nos conhece e se ocupa com nossas vidas e então poderemos dizer como Santa Teresa de Jesus. (cf. Livro da Vida):
“Sua Majestade já sabe a nossa miséria e a nossa baixa natureza melhor do que nós mesmos; e sabe que estas almas desejam sempre pensar nEle e amá-LO. É esta determinação que o Senhor quer. Creiamos que tudo é para maior bem nosso. Guie-nos Sua Majestade por onde quiser; já não somos nossos, mas seus; grande favor nos faz dando-nos o desejo de cavar nos seu horto e em estar junto de nós, pois é certo que está conosco o Senhor do jardim.”
Carmen Martins
Discípula na Comunidade Pantokrator

quinta-feira, 19 de julho de 2012

A emoção de ser casto


No livro “The Thrill of the Chaste”, e escritora e editora nova iorquina Dawn Eden escreveu a história de sua luta pela pureza e pelos benefícios da castidade, depois de sua conversão, depois de ter se desiludido com o estilo de vida “sex-in-the-city” [nota do tradutor:“sexo na cidade”, uma alusão a um famoso seriado de televisão que apresenta mulheres em aventuras sexuais].
Depois de passar vários anos no estilo nova iorquino de namoro – um estilo que segue aquilo que Dawn Eden chama de “regra do Cosmos”: que o sexo deve orientar o relacionamento – ela decidiu começar uma experiência com a castidade. Qual é, exatamente, a “emoção de ser casto”? Para Eden, é uma vida que é mais real, mais vibrante, mais intensa e cheia de sentido do que tudo que a antiga vida de encontros sexuais casuais tinha a oferecer.
Dawn Eden mostra o círculo vicioso do cenário amoroso baseado em sexo, aquele ciclo repetitivo sem fim, de “solidão – encontro intenso – separação – solidão”. Eden explica como ela veio a perceber que nunca encontraria o amor e o casamento que ela desejava sem trilhar uma nova direção. A falta de sentido do cenário amoroso atual se tornou clara quando algumas das conhecidas de Eden sinceramente perguntaram como ela poderia conhecer um possível futuro marido fora desse cenário, como se não houvesse outro tipo de homem a se encontrar no mundo, a não ser desses que se encontram nos bares freqüentados por solteiros.
O efeito geral da maior parte do livro é revelar as profundas diferenças que existem entre a vida de castidade e a vida de prazeres passageiros. O objetivo pode até ser o mesmo, mas os meios empregados se revelam como visões completamente contrárias do que seja o amor humano e a felicidade.
A perspectiva de Dawn Eden pressupõe que a maioria das mulheres está saindo por aí em busca de algo mais do que somente um “caso” ou “fica” sem sentido. Pressupõe que as mulheres esperam um dia, jogando esse “jogo amoroso”, encontrar um marido de verdade. A história de Eden quer mostrar porque as probabilidades disso acontecer são pequenas.
Eden explica que tanto a experiência de sexo antes do casamento como a experiência da castidade estão centradas do mesmo tipo de crença. “Uma delas”, explica Eden, “se baseia em acreditar que um homem que não tenha apostado em você… vai se voltar e se interessar por você por causa da força de sua atratividade física”. “A outra experiência”, ela diz, “se baseia em acreditar que Deus, à medida que você fica mais perto dEle, vai lhe levar a ter um marido amoroso. A castidade ‘abre’ seu mundo, possibilitando que você alcance seu potencial criativo e espiritual sem a pressão de ter que jogar o ‘jogo da sedução’ da atualidade”.
Eden conclui que “quando estou diante de uma escolha entre duas atitudes – nas quais ambas requerem olhar para além da realidade atual – eu escolho a que tem um melhor fundamento”.
Eden se recusa a separar a castidade da graça. Ela não tenta criar uma espécie de “versão secular” da castidade, independente da fé. Ela não tem medo de mostrar sua descoberta, de que a castidade não é apenas um fundamento sólido, mas um fundamento que se baseia em Deus.
As observações de Eden sobre suas experiências, tanto de sexo antes do casamento, quanto de castidade, são muito sábias e nos fazem refletir. Ela não tem vergonha de revelar seus erros e fraquezas – na verdade alguns leitores poderão achar suas confissões inconfortavelmente minuciosas.
Mas ela faz uma grande contribuição ao analisar essas experiências. Uma das grandes descobertas de Eden foi perceber a influência que o divórcio de seus pais teve em seu comportamento. Ela encontra conexões entre a sua promiscuidade, o medo da rejeição, e sua falta de segurança, que foi fruto da saída de seu pai de casa, e de ver sua mãe entrando na onda de encontros casuais. É uma história triste, e trágica, mas é também uma história que efetivamente mostra o dano que um divórcio causa.
Outro ponto positivo é quando relembra como ela foi, pouco a pouco, perdendo a sua pureza, de modo que na época em que perdeu sua virgindade fisicamente, ela já a tinha, na verdade, perdido moralmente e espiritualmente muito tempo antes. Ela observa como, em atividades aparentemente inofensivas como beijar, ela já foi aprendendo a se separar a si mesma, emocionalmente e espiritualmente, do aspecto físico. Pode-se dizer que ela já estava aprendendo uma mentalidade contraceptiva muito antes de perder a virgindade.
Esse livro não é para os facilmente impressionáveis, mas é um contra-ataque muito bem vindo com relação à absurda filosofia sexual ensinada por nossa cultura. Eden mostra como a promessa de felicidade da revolução sexual é uma ilusão, e propõe uma revolução mais autêntica. Para as pessoas que ainda vivem no jogo “fica– termina – fica” esse livro pode ser de grande ajuda. E para aqueles que já estão comprometidos com a castidade, ela oferece reflexões que são oportunas e originais, confirmando a passagem que diz que, onde o pecado abundou, a graça superabundou.

A sacralidade do amor matrimonial


Em todas as culturas grande importância é conferida ao casamento, a data do enlace é um dia muito festejado, o povo hebreu, por exemplo, comemorava por dias. A Igreja não somente vê no casamento um acontecimento cultural importante, mas compreende-o como Matrimônio, como sacramento. Para a fé católica o Matrimônio não apenas reconhece o caráter natural do enlace entre homem e mulher, mas eleva este enlace a uma dimensão sagrada. Vamos entender, ainda que brevemente, a particularidade da sacralidade matrimonial.
Deus nos é dado a conhecer por São João da seguinte forma: “Deus é amor: quem permanece no amor, permanece em Deus, e Deus permanece nele” (1Jo 4,16).  E a Igreja nos ensina que “homem é criado por Deus e para Deus; e Deus não cessa de atrair o homem a si, e somente em Deus o homem há de encontrar a verdade e a felicidade” (CIC,27). Ora, se Deus é Amor e o homem foi criado por Ele e para Ele, então podemos entender que o homem foi feito pelo Amor e para o Amor e neste Amor permanecer.
A partir dessa podemos, legitimamente, compreender o significado inicial do Matrimônio: homem e mulher criados por Deus e chamados a viverem o Amor. Segundo a Escritura “O Senhor Deus disse: ‘Não é bom que o homem esteja só. Vou fazer uma auxiliar que lhe corresponda (assemelhe)” (Gn 2,18). Essa “correspondência” ou “semelhança” está na comum natureza:“Então, o Senhor Deus fez vir sobre o homem um profundo sono, e ele adormeceu. Tirou-lhe uma das costelas e fechou o lugar com carne. Depois, da costela tirada do homem, o Senhor Deus formou a mulher e apresentou-a ao homem. E o homem exclamou: ‘Esta sim é osso dos meus ossos, é carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque foi tirada do homem!’Por isso deixará o homem o pai e a mãe e se unirá à sua mulher e eles serão uma só carne” (Gn 2, 21-24). Homem e mulher têm a mesma natureza que implica no reconhecimento da  diferença: masculino e feminino. Eis o que a união matrimonial nos mostra: a doação-união de dois seres diferentes que compartilham a mesma natureza frutificando em um terceiro ser: o filho. Nessa acepção, o amor matrimonial é chamado a sinalizar o Amor Trinitário. Ao mesmo tempo, a realidade matrimonial reflete a doação amorosa recíproca Cristo-Igreja (sua esposa). Ele entregou a vida por Ela. Ela vive por Ele (cf. Jo 19, 34-35).
Na cotidianidade da vida isso significa que o Matrimônio é o “local” em que o casal católico aprende a exercitar-se no amor visto que a necessária coexistência exige paciência, acolhimento, doação de si, renúncia. Em outras palavras, a vida matrimonial possibilita ao casal desenvolver-se nas duas dimensões do Amor: éros e ágape. A primeira dimensão é marcada pelo desejo de conquista, de posse. A segunda dimensão se caracteriza pela capacidade de sair de si, de doar-se. Nesse sentido, ensina o Santo Padre Bento XVI em sua encíclica DEUS CARITAS EST (DCE, 7) que eros e agape “nunca se deixam separar completamente um do outro. Quanto mais os dois encontram a justa unidade, embora em distintas dimensões, na única realidade do amor, tanto mais se realiza a verdadeira natureza do amor em geral”. Um matrimônio que não busque construir-se nesses dois sentidos do amor está fadado à frustração, pois se não há doação, não há comunhão e a sacralidade não é vivenciada. 
Professor Ricardino Lassadier é graduado em Filosofia. Especialista em Filosofia e Teologia. Leciona no IRFP e na Rede Pública Estadual, é ministrante de cursos no CCFC (Centro de Cultura e Formação Cristã).

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Veneração de Imagens e Ícones


“Não farás para ti imagens esculpidas, nem qualquer imagem do que existe no alto dos céus, ou do que existe em baixo, na terra, ou do que existe nas águas, por debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto” Ex 20,4
Na passagem acima, Deus exorta e condena diretamente a idolatria.
É necessário interpretar as Escrituras sem subjetividade e fundamentalismo. Ou seja, interpretar ao pé da letra.
A interpretação, chamada literal e fundamentalista, é muito estreita, pois a linguagem usada não é do nosso tempo e sim, milenar.
Os livros do Antigo Testamento foram escritos para o contexto da época. E qual era o contexto da época? Por que Deus havia proibido o povo hebreu de esculpir imagens?
Ícone do Cristo pantokrator
Ícone do Cristo pantokrator
O povo israelita era um povo primitivo (Êxodo), que convivia com a cultura dos povos que o cercavam (babilônios, egípcios e gregos). Esses povos eram politeístas, ou seja, prestavam culto a vários deuses.
Misturado ao politeísmo, havia o panteísmo que é encontrar deus em todas as coisas, em objetos e realidades diferentes.
Eram povos pagãos, que adoravam ídolos, por isso, Deus é muito pedagógico nesse período, para que o seu povo não assimilasse a cultura de adoração de ídolos através de imagens.
Deus sabia o que estava fazendo. Não foi simplesmente uma proibição, mas sim um cuidado, um zelo para com o seu povo.
Isso se justifica pelos acontecimentos. Enquanto Moisés recebia as tábuas da Lei, o povo pede a Arão que construa um ídolo, um bezerro de ouro (Ex 32). A preocupação do Senhor não está nas imagens em si mesmas, mas o que ela significa para os povos primitivos, levando-os à idolatria. E o que as imagenssignificam para os povos primitivos?
Eles acreditavam que se conseguissem construir um ídolo e ali colocassem a divindade, eles capturavam a presença do divino naquela imagem. É como se a essência e vitalidade daquele divino ficasse preso no objeto e, portanto, tinha-se domínio sobre aquele deus.
Vários povos cercavam o povo hebreu, que era o único monoteísta. A probabilidade do povo de Deus se deixar influenciar era muito grande. Deus não queria que o israelita se desformasse, se desvirtuasse.
Na sarça ardente Deus revelou o seu nome, mas não revelou o seu rosto. Foi um cuidado que Deus teve com o seu povo.
Na antiga aliança não se falava em Deus trino (Santíssima Trindade). Falava-se: O Espírito pairava sobre o mundo, sobre o firmamento. Pela imaturidade do povo hebreu, se fosse falado sobre o Deus trino, seria muito fácil eles caírem no politeísmo. Poderiam imaginar (segundo a sua cultura) que são três deuses em um só, quando na verdade são três pessoas em um só Deus. O povo israelita ainda não estava maduro para entender.
Deus, em sua sabedoria, revelou a trindade aos homens somente em Cristo Jesus. Portanto, o trecho do Êxodo tem uma explicação para aquele tempo, que antecede a plenitude dos tempos, que é Jesus. Jesus trás a Boa Nova.
Em Mt 19, 3-12, os fariseus testam Jesus lhe perguntando sobre o que Moisés havia falado sobre rejeitar a mulher adúltera. Jesus justifica: “É por causa da dureza do vosso coração que Moisés havia tolerado o repúdio das mulheres; mas no começo não foi assim. Jesus fala: Não lestes que o Criador, no começo, fez o homem e a mulher e dos dois formarão uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu”.
Deus sempre usou de pedagogia com o Seu povo. A prova disso é que em várias ocasiões, certificadas pelas Escrituras, pedem que se confeccionem imagens:
Ícone da Santíssima Trindade
Ícone da Santíssima Trindade
Em Números 21,4, vemos quando o povo perdeu a coragem e começou a murmurar contra Deus e contra Moisés. Então Deus enviou serpentes. O povo foi até Moisés reconhecendo o pecado e pediram que ele afastasse as serpentes. O Senhor ordena que uma serpente de bronze seja construída, fixando-a sobre um poste. Esse emblema serve de sinal de piedade e libertação. Olhar para ele constituía um ato de fé. É um sinal de salvação, mas não vale por ela mesma.
Existe outras ocasiões: Deus ordena a Moisés que coloque dois querubins de ouro sobre a Arca da Aliança. Ex 25, 17-22.
Os querubins de madeira que são colocados no templo construído por Salomão.
Deus não se contradiz. Deus manda que, se construa imagens, pois, era um outro momento. Deus usa de sinais. Muitas vezes somos insensíveis a esses sinais.
Não podemos cair na heresia maniqueísta que desvinculava a matéria do espiritual. Para o maniqueísmo, a matéria, não presta, somente o espiritual. Santo Agostinho caiu nesse erro e se desvinculou após a sua conversão.
Hoje, muitos dos nossos sentidos estão insensíveis, mas não significa que esses mesmos sentidos não prestam. Pelo contrário, temos que fazer com que eles voltem à sua pureza.
O humano é criação de Deus. Os nossos sentidos são criação de Deus e por isso temos que desenvolvê-lo para serem sensíveis a beleza que se encontra em um ícone, por exemplo.
Existiam deformações na época de Jesus. Ele mesmo veio combater o farisaísmo, que hoje é sinônimo de hipocrisia, mas na época, eram aqueles que observavam estritamente as leis de Deus.
Não é porque, infelizmente, muitos dos nossos irmãos católicos entram na Igreja e ficam beijando os pés de imagens e se esquecem de Jesus Eucarístico, que nós não vamos ter imagens.
Cristo é que traz o fundamento para termos imagens de santos, de Maria, do próprio Jesus, do Espírito Santo, pois Cristo é imagem do Pai. Ele é a revelação. O verbo encarnou-se e revelou o Pai. É em Cristo Jesus que Deus se fez imagem. O Deus que era invisível, agora é visível, através do verbo que se encarna.
No antigo testamento, Deus permitia que fizesse imagem de anjos e animais, mas proibia fazer imagem de Deus, pois Deus ainda não tinha se revelado como imagem. Deus se fez imagem em Jesus.
Em Cristo temos o sinal infalível de Deus na humanidade e isso pode parecer simples para nós hoje, mas para o povo hebreu naquela época, não era. Eles não conseguiram ver Deus em Jesus. Hoje, a nossa dificuldade é pouco diferente, pois muitas vezes não conseguimos ver Deus na Eucaristia.
O próprio homem é um ícone de Deus, que o fez a sua imagem e semelhança. Portanto, o homem é o primeiro ícone de Deus, mas estragou-se e Cristo veio consertar tudo na Cruz.
Quando Cristo entrou na história, a partir daí Deus se fez imagem. Portanto, a partir daí, nós podemos fazer imagens de Deus, não só de anjos. De Cristo tiramos a legitimidade de confeccionarmos imagens. Podemos fazer imagens porque temos um rosto referenciado em Cristo.
Fazemos, também, imagens de Santos, porque eles são sinais da presença de Cristo.

A imagem da Igreja Primitiva

A Igreja primitiva soube captar, por graça do Espírito Santo, o sentido Evangélico da representação de imagens de Deus e seus santos. Em consequência, os antigos cemitérios, as catacumbas apresentavam diversas imagens, geralmente inspiradas pelos textos bíblicos.
É notável a representação de Maria, a Mãe de Deus, em afrescos nas catacumbas. Primeiro afresco data do século 3. Essa imagem se encontra nas primeiras páginas do Catecismo da Igreja Católica.

O que é o ícone?

A palavra ícone deriva do termo grego “éikon”, que significa genericamente “imagens”.
Na história da arte e também linguagem comum, a palavra ícone é reservada a uma pintura, geralmente portátil, de gênero sagrado, executado sobre madeira com uma técnica particular e segundo uma tradição transmitida pelos séculos.
A pátria do ícone é o Oriente Bizantino (Imperio Romano Oriental). Ainda hoje se faz ícone na Igreja Oriental.
Os ícones são produzidos em profunda oração. Portanto, é uma obra espiritual e não artística. Dizemos que o ícone não é pintado e sim, escrito, pois todo ícone é palavra de Deus.
Para a igreja Ortodoxa, o ícone tem um sentido muito mais profundo que as nossas imagens do Ocidente, que nasceram muito mais como uma obra de arte. O ícone não é uma obra de arte e nem estética.
As obras de Michelangelo, na capela Cistina, são obras de arte, admiradas pelos pagãos e pelos ateus. Oícone é a apresentação da palavra de Deus de modo visível, assim como são as Sagradas Escrituras.
É uma maneira de evangelizar, pois são as palavras de Deus desenhadas, escritas, pintadas.